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Antes de existir como hoje a conhecemos, a Rua Castilho foi um traço adiado no desenho de Lisboa. Durante décadas, o seu percurso esbarrou nos terrenos do antigo Quartel do Vale do Pereiro, até que, em 1917, com a sua cedência, a cidade avançou e a rua foi ganhando forma.

Acabou por se estender da Rua do Salitre à Rua Marquês de Fronteira e cruza artérias estruturantes como a Rua Joaquim António de Aguiar, que marca a transição entre a Freguesia de Santo António e a Freguesia de Avenidas Novas. Ao longo do seu percurso acompanha o Parque Eduardo VII, afirmando-se como ligação entre cidade e paisagem.

Integrada no plano de expansão urbana de 1889, pensado para estruturar o crescimento de Lisboa para norte, viria, após a Implantação da República em 1910, a receber o nome que a identifica, em homenagem a António Feliciano de Castilho.

Nascido em Lisboa, em 1800, Castilho foi uma das figuras centrais da cultura portuguesa oitocentista. Cego desde a infância, construiu obra notável como poeta, tradutor e pedagogo, recorrendo ao seu irmão (também escritor e pedagogo), a discípulos e colaboradores que lhe liam textos e registavam, sob ditado, a sua escrita.  Participou na vida intelectual do seu tempo ao lado de nomes como Almeida Garrett e Alexandre Herculano, defendendo a instrução pública e combatendo o analfabetismo através de métodos inovadores de ensino.

António Feliciano de Castilho teve um percurso marcado pela polémica, mas também pelo reconhecimento. Recebeu a Grã-Cruz da Ordem Imperial da Rosa e o título de Visconde de Castilho, concedido por decreto em 25 de maio de 1870.

Hoje, entre hotéis de prestígio, escritórios, clínicas e comércio sofisticado, a Rua Castilho afirma-se como uma das artérias mais prestigiadas de Lisboa.

A Rua Castilho foi-se consolidando até ganhar forma própria no tecido da cidade. Mas nenhuma rua termina na sua construção, permanece na vivência de quem a percorre e de quem a habita.

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