A Rua Pinheiro Chagas insere-se no coração das Avenidas Novas como um eixo discreto, marcado pela memória e pela identidade urbana. Entre fachadas alinhadas, varandas de ferro trabalhado e uma escala pensada para o conforto e a ordem, permanece o eco da Lisboa de finais do século XIX, confiante no progresso e no pensamento liberal.
Integrada numa malha urbana cuja toponímia homenageia figuras centrais da cultura e da política portuguesas — como Fontes Pereira de Melo ou o Marquês de Sá da Bandeira — a Rua Pinheiro Chagas faz parte da narrativa histórica das Avenidas Novas, onde os nomes das ruas contam a história de um país em transformação.
O topónimo foi atribuído pelo Edital de 29 de novembro de 1902, sete anos após o falecimento de Manuel Joaquim Pinheiro Chagas, que representara Portugal, em 1893, na Exposição Histórica Europeia de Madrid, integrada nas comemorações do IV Centenário do Descobrimento da América.
Nascido em Lisboa em 1842 e falecido em 1895, Pinheiro Chagas destacou-se como jornalista, político e escritor. Iniciou-se no jornal «A Revolução de Setembro», sob a direção de Rodrigues Sampaio, afirmando-se por um estilo que conciliava informação e intervenção cívica.
A partir de 1871, desenvolveu uma intensa carreira política, sendo eleito deputado por vários círculos e nomeado, em 1883, Ministro da Marinha e Ultramar. Foi ainda membro fundador da Sociedade de Geografia de Lisboa, ligada às grandes expedições africanas do século XIX.
Hoje, predominantemente residencial, mas com comércio de proximidade e serviços, a Rua Pinheiro Chagas mantém um ambiente sereno, onde convivem memória, quotidiano e identidade urbana.