Quem passa pela Praça Nuno Gonçalves talvez não imagine quantas histórias cabem neste recanto do Bairro Santos ao Rego. Entre a Rua Luciano Freire e a Rua Cristóvão Figueiredo, mesmo em frente à Escola Mestre Arnaldo Louro de Almeida, esta praça é hoje um ponto de encontro de Cultura, animação e convívio.
Mas poucos sabem que nem sempre se chamou assim: antes de 1934, tinha o nome de Praça General Morais Sarmento. Foi com o plano de arruamentos da antiga Quinta do Lagar Novo ao Rego que a praça ganhou o nome que hoje conhecemos, numa altura em que Lisboa escolhia homenagear artistas e pintores na sua toponímia.

E este – Nuno Gonçalves – foi uma das figuras mais misteriosas e fascinantes da arte portuguesa. Pintor régio no século XV, ligado à corte de D. Afonso V, foi-lhe atribuída a autoria dos célebres Painéis de São Vicente de Fora — seis painéis, cerca de 60 figuras, quase em tamanho real, onde se cruzam nobres, religiosos e gente do povo. Uma verdadeira fotografia da sociedade portuguesa da época, pintada a óleo. A praça integra o “bairro dos pintores”, onde encontramos também Cristóvão de Figueiredo, Jorge Afonso, Frei Carlos ou Luciano Freire.

Foi apenas com a recente requalificação urbana que a Praça Nuno Gonçalves recuperou a sua vocação original: a de praça de bairro. Uma transformação pensada, desde o início, para devolver este espaço às pessoas — em especial às famílias e à comunidade escolar ali mesmo ao lado.

Aqui já houve concertos, feiras temáticas, a Feira do Chocolate, o “Há Festa no Bairro” e muitos outros momentos que juntam vizinhos, famílias e quem passa. Uma praça com passado artístico e presente comunitário — daquelas que fazem a freguesia acontecer.

Tem fotografias antigas, memórias ou curiosidades sobre esta praça? Escreva-nos. A história das Avenidas Novas também se constrói com as suas histórias.