O Campo Pequeno foi, no inĂ­cio do sĂ©culo XVI, um vasto logradouro pĂșblico na periferia da cidade, que se localizava mais na zona baixa, junto do rio Tejo.
Realizavam-se na zona exercícios militares, paradas ocasionais, feiras populares anuais e onde a baixa burguesia fazia negócios de rua, sendo também o campo onde o exército de El-Rei D. Sebastião treinou antes da célebre expedição a Alcåcer-Quibir, onde acabou por desaparecer, em 1578, no atual território de Marrocos.
O rei deste paĂ­s do Norte de África tem hoje precedĂȘncia protocolar sobre todos os outros paĂ­ses em Portugal, por Rabat ser a capital de um Estado mais prĂłxima, em termos de distĂąncia, da nossa capital, que Ă© a cidade das sete colinas de Lisboa.
No século XVIII, o espaço recebeu uma Praça de Touros provisória e construída em madeira, como era costume na época, oriundas, segundo se consta, das quintas existentes do então longínquo Paço do Lumiar.
A praça definitiva, de inspiração neoårabe, foi inaugurada a 18 de agosto do ano da graça de 1892, sendo o projeto do arquiteto António José Dias da Silva, refletindo a então difundida crença de que as corridas de touros teriam origem årabe.
Desde entĂŁo, o edifĂ­cio afirmou-se como um dos sĂ­mbolos da cidade e mesmo do paĂ­s, tendo sido palco de acontecimentos artĂ­sticos, culturais, desportivos e polĂ­ticos, nacionais e internacionais.
Durante séculos, o local foi conhecido como Campo Pequeno ou Largo do Campo Pequeno.
Em 1908, passou a Largo Dr. Afonso Pena, em homenagem ao antigo Presidente do Brasil, tendo o topĂłnimo histĂłrico sido reposto em 1948.
Desde o inĂ­cio do sĂ©culo XX, encontra-se na envolvente o Jardim do MarquĂȘs de Marialva, estribeiro-mor da Coudelaria Real e criador da arte de Marialva, legado continuado pela Escola Portuguesa de Arte Equestre.
Destaca-se tambĂ©m no largo o PalĂĄcio Galveias, construĂ­do no sĂ©culo XVII, antiga residĂȘncia de famĂ­lias nobres portuguesas. Este foi adquirido pela CĂąmara Municipal de Lisboa, em 1931, e convertido em Biblioteca Municipal.
O Campo Pequeno Ă© hoje um eixo da mobilidade, sendo um importante nĂł viĂĄrio de Lisboa, situado na confluĂȘncia de importantes artĂ©rias como a Avenida da RepĂșblica e a Avenida JoĂŁo XXI, que facilitam a ligação a zonas como Saldanha, Areeiro, Entrecampos, Praça de Espanha, MarquĂȘs de Pombal, Areeiro e Campolide.
A construção do tĂșnel da Avenida JoĂŁo XXI reforçou a sua centralidade, e o trĂąnsito ficou facilitado com os tĂșneis da Avenida da RepĂșblica, tendo serviço de inĂșmeros transportes pĂșblicos nas redondezas, alĂ©m do metropolitano, com a estação com o mesmo nome, autocarros e atĂ© comboios.
É este espaço acessĂ­vel e convidativo para moradores, visitantes e turistas, sendo dos mais fotografados da mui nobre cidade de Lisboa, sendo ponto de cruzamentos e paragens para se usufruir de programaçÔes musicais, artĂ­sticas e desportivas, alĂ©m de ter na zona recomendados locais comerciais e de gastronomia nacional e estrangeira.
Cada rua, cada canto e recanto tem uma histĂłria e uma curiosidade, constando-se tambĂ©m que, atĂ© ao sĂ©culo XIX e inĂ­cio do sĂ©culo XX, havia espaços de culto religiosos na zona do Campo Pequeno, onde se faziam festas e romarias, casamentos e batizados, havendo vestĂ­gios de outrora da velha Lisboa, dizendo-se ainda hoje que a imponente praça maior Ă© protegida por SĂŁo Pedro Regalado, sabendo-se que havia oratĂłrios em algumas casas apalaçadas que, com a implantação da RepĂșblica, em 1910, foram escondidos ou mesmo tapados.
O Campo Pequeno Ă© grande no passado, presente e com futuro, sendo na esquina das Avenidas de Berna e da RepĂșblica que, num palĂĄcio de esquina, que juntou imĂłveis e cresceu desde os seus primĂłrdios, se encontra a sede da nossa autarquia, que Ă© frequentemente apreciada pela sua peculiar arquitetura atual, inspirada no movimento denominado Art Nouveau, que precede o movimento denominado Art DĂ©co.
Que gostaria de acrescer mais sobre esta zona? As memórias são a vida