
A Rua Veloso Salgado, no Bairro do Rego, começa na Rua Carlos Reis, cruza a Rua Jorge Afonso e termina na Rua da Beneficência. Três nomes, três pintores. Não é acaso.
Este bairro foi pensado para, a partir dos anos 40, acolher figuras das artes plásticas, numa decisão da Comissão Consultiva de Toponímia em articulação com o Ministério da Educação. Lisboa inscrevia assim a cultura no espaço urbano, com intenção.
O nome atual surge em 1960, quando a antiga Rua J do Bairro Santos passa a homenagear Veloso Salgado, identificado como «Pintor, 1864-1945».
José Maria Veloso Salgado nasceu na Galiza e chegou a Lisboa com apenas 10 anos, para viver com um tio litógrafo. Foi nesse ambiente que descobriu o desenho e iniciou um percurso artístico marcado pela disciplina e ambição. Naturalizou-se português em 1887, formou-se na Academia de Belas Artes de Lisboa e partiu para Paris e Itália como bolseiro, onde aprofundou a sua formação.
A sua obra afirmou-se sobretudo no retrato e na pintura histórica, com uma linguagem naturalista e sentido narrativo.
Realizou grandes composições e intervenções decorativas em espaços de destaque, como o Teatro Politeama, em colaboração com o seu amigo, o arquiteto Ventura Terra, explorando também o vitral no contexto da Arte Nova. Como professor na Escola de Belas Artes de Lisboa, marcou gerações que mais tarde abririam caminho ao modernismo.
O seu talento foi amplamente reconhecido. Entre outras distinções, foi agraciado com a Medalha de Honra da Sociedade Nacional de Belas-Artes, nomeado oficial da Ordem de Santiago e cavaleiro da Legião de Honra Francesa. Entre as suas obras mais conhecidas estão «A Morte de Catão», «Amor e Psique», «Jesus no Deserto» e «Vasco da Gama em presença do Samorim».
Hoje, a rua guarda essa memória num bairro que, mais do que um conjunto de arruamentos, é uma homenagem contínua à arte e aos artistas que ajudaram a moldar a identidade cultural da cidade.

