Sabia que a Avenida Júlio Dinis, com apenas cerca de 150 metros, já foi uma das mais modernas do país? Entre a Avenida da República e a Avenida 5 de Outubro, concentra literatura, urbanismo e modernidade.

O nome homenageia Júlio Dinis, pseudónimo do médico portuense Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871), autor de As Pupilas do Senhor Reitor, Uma Família Inglesa e A Morgadinha dos Canaviais. Figura central da transição do romantismo para o realismo, morreu antes dos 32 anos, mas deixou uma obra que atravessou o século XX em múltiplas adaptações para cinema e televisão.

Em Lisboa, começou como Rua por deliberação camarária de 4 de fevereiro de 1909 e foi elevada a Avenida em 8 de junho de 1925, no mesmo edital que valorizou outras vias das novas expansões urbanas. Apesar da mudança de estatuto, a extensão manteve-se discreta.

O verdadeiro marco de modernidade chegou em 1971 quando no nº 10-A abriu o Drugstore Apolo 70, inspirado na corrida espacial e na chegada do homem à Lua. O primeiro “Centro Comercial” do país combinava lojas, snack-bar, pista de bowling e, no dia seguinte à inauguração, o Estúdio Apolo 70, cinema de 300 lugares assinado pelo arquiteto Augusto Silva e programação do crítico Lauro António. Sessões de meia-noite, retrospetivas, matinés infantis — ali nasceu um espaço cultural que marcou gerações.

Encerrado em 2021, o Apolo 70 permanece na memória como símbolo de uma Lisboa que se abria ao mundo, experimentava novas formas de lazer e consumo, e vivia com confiança a modernidade.

Curta no traçado, ampla na história, a Avenida Júlio Dinis prova que, na cidade, nem sempre é a dimensão que dita a importância. Às vezes, bastam 150 metros para guardar um século inteiro de inovação e cultura.

As Avenidas Novas também se fazem das memórias de quem aqui vive e trabalha. Se tem histórias, fotografias antigas ou curiosidades sobre as nossas ruas, convidamo-lo a partilhá-las connosco.