A 9 de setembro de 1963, pelo Edital da Câmara Municipal de Lisboa, nasceu oficialmente a Rua Alfredo Roque Gameiro, no coração do Bairro do Rego, nas Avenidas Novas.

A cidade deu nome a um conjunto de arruamentos naquele bairro, seguindo a sugestão do Ministério da Educação de homenagear grandes pintores portugueses, formando um mapa urbano de mestres e discípulos, onde a memória da arte se inscreve no dia-a-dia dos lisboetas.

Alfredo Roque Gameiro, aguarelista e ilustrador nasceu em Minde, no Município de Alcanena, em 1864 e cedo trocou os horizontes rurais por Lisboa. A cidade impressionou-o e passou a vida a eternizá-la com o seu olhar, pincelada a pincelada, em verdadeiros documentos visuais da memória alfacinha.

Começou como desenhador-litógrafo na oficina do irmão, estudou à noite na Academia de Belas-Artes, ilustrou livros, jornais e clássicos como Os Lusíadas. Mas foi na aguarela que encontrou a sua linguagem. «A natureza não é aquilo que se vê, mas aquilo que se sente», dizia. Em 1911, instalou atelier em Campolide e percorreu a cidade em transformação.

No plano familiar, deixou também um legado notável, tendo criado no seio da sua família uma verdadeira «Tribo dos Pincéis». Filhos e filhas seguiram-lhe o caminho nas artes, prolongando um legado que atravessa gerações.

Há, por isso, uma dimensão particularmente simbólica nesta rua. Um homem que dedicou a vida a guardar a memória visual de Lisboa, vê o seu nome inscrito numa artéria que poderia ter sido cenário de uma das suas aguarelas.

A Rua Alfredo Roque Gameiro, além de uma designação toponímica, é um convite a olhar Lisboa como ele a via, cada esquina, cada detalhe, uma aguarela viva. Olhar a nossa freguesia com curiosidade é provavelmente o maior desafio que nos deixa.

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