
A , criada por deliberação camarária de 21 de outubro de 1909, então designada Rua D, liga a Rua Castilho à antiga Rua José da Silva Carvalho, hoje Rua de Artilharia 1, fixando na malha da cidade o nome de uma das maiores figuras da cultura portuguesa.
Padre António Vieira (1608-1697) nasceu em Lisboa e partiu com a família, ainda criança, para o Brasil, onde estudou no Colégio Jesuíta da Baía e ingressou na Companhia de Jesus. Professor de Retórica e Teologia, destacou-se como pregador de exceção. Após a Restauração de 1640 regressou a Lisboa, tornando-se pregador régio e conselheiro de D. João IV, desempenhando também missões diplomáticas na Europa. De regresso ao Brasil, dedicou-se à ação missionária no Maranhão e no Grão-Pará, defendendo os povos indígenas da exploração e da escravidão, posição que lhe trouxe admiração e oposição.
Entre os cerca de 200 sermões que nos legou, destaca-se o Sermão de Santo António aos Peixes, pregado no Maranhão, em 1654. Falando simbolicamente aos peixes, criticava a ambição e a injustiça, denunciando os vícios da sociedade do seu tempo.
Autor de obras proféticas e políticas, defensor dos cristãos-novos e crítico da Inquisição, Vieira enfrentou perseguições e desterro por escritos como Esperanças de Portugal, História do Futuro e a Clavis Prophetarum (“A Chave dos Profetas”). Trabalhada durante quase 50 anos e nunca publicada em vida, esta obra esteve desaparecida durante séculos e é hoje essencial para compreender a coerência e a dimensão utópica do seu pensamento.
Só com a subida ao trono de D. Pedro II, em 1668, Padre António Vieira foi amnistiado e viu levantadas as sanções que a Inquisição lhe impusera.
Dar o seu nome a esta rua foi reconhecer um grande orador, mas também um pensador que procurou unir fé, justiça e esperança no futuro, alguém cuja palavra continua a convidar à reflexão.
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