Travessa é uma «rua estreita e curta que estabelece comunicação entre duas ruas principais». Na maioria dos casos a sua toponímia é antiga e ligada às vivências locais. Só em Lisboa existem cerca de 361 Travessas. O convite de hoje é partirmos à descoberta de uma das Travessas da nossa Freguesia e da história que nela se guarda…
A Travessa de São Sebastião da Pedreira deve o seu nome à antiga existência de uma ermida dedicada a S. Sebastião no “sítio da Pedreira”, desde o século XVI, construída por moradores da Rua das Arcas, da freguesia de S. Nicolau, que tomaram o santo como protetor contra a peste.
Prometiam aí celebrar missa aos domingos e a festa do padroeiro, a 20 de janeiro, bem como realizar procissões, tradição mantida até 1755. No século XVII, em 1652, D. João IV dedicou igualmente a São Sebastião a igreja do largo com o mesmo nome. O nome desta artéria, partilhado com a Rua e o Largo, reflete essa devoção local.
No início do século XVIII, a zona era quase toda campo, com a igreja a destacar-se na paisagem, rodeada por poucas casas e moradores, como descreve Víctor Luís Eleutério, no seu livro Memórias e Curiosidades das Avenidas Novas. Durante muitos anos existiu apenas uma ligação pedonal entre São Sebastião e Campolide.
Só em meados do século XIX é que a área começou a ganhar forma urbana, com a construção de prédios em frente à igreja e a criação da então chamada Travessa de São Francisco Xavier, prolongando a Rua de São Sebastião. A designação atual surge em 1948.
Como escreve Víctor Luís Eleutério, a travessa foi planeada de forma tão arbitrária que «foge a qualquer escala que Ressano Garcia tivesse idealizado para serventia pública de Lisboa até mesmo no tipo de travessas ou de passagens».
Hoje, fechada ao trânsito automóvel e terminando em doze degraus para a Avenida António Augusto Aguiar, mantém-se como uma discreta passagem pedonal, carregada de história e memória urbana.